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Eu sinto essa paixão pelo proibido, pelo grito que nunca encontra saída, a alma ferida e a vida vazia. Não sei lidar com o real, falo usando metáforas e frases que não são minhas, só pra fingir que sei explicar quem sou. Não me mostro, não sabem quem sou e nunca saberão. Tem que cavar bem fundo pra encontrar algo de bom, e ninguém tem paciência pra procurar o que nunca se vê.
Você é violentamente bonita
, me disseram uma vez. Essa paixão pelo doentio e a obsessão pelo que não existe, o desejo de permanecer invisível junto com a vontade incontrolável de ser admirada. Um paradoxo, o veneno que nunca encontra cura, o vazio, a intensidade, o tudo e o nada.
E quando você aparece, me sinto viva e apaixonada pelo que nunca poderemos ser. Eu sinto o gosto de tudo que deixei pra trás, e é amargo. Me faz engasgar e querer chorar, mas também me dá vontade de procurar mais uma motivação pra qualquer coisa que eu faça.

 

 

 

Não sei explicar.

São suas pernas, sempre cobertas por meias rendadas e os traços da inconsequência. Seus lábios delicados que colorem meu pescoço, deixando a lembrança. Os mesmos lábios que tragam minha tristeza e soltam a fumaça em alívio. É sua malícia inconfundível em cada um dos seus olhos, malícia que eu consigo enxergar até hoje, mesmo que não seja mais minha. É em você que eu cometo acidentes, é em você que a insanidade vive, é no seu sorriso imperfeito e amarelo e ao mesmo tempo tão doce e infantil em que eu me perco. É sua pele alva que atrai meus lábios e dentes, e o desejo de causar marcas apenas pelo medo de ser esquecida. São suas mãos que moldam minha vida, são suas mãos de artista que moldam meu corpo e enxergam a beleza por trás do vazio. São nas suas lembranças que eu encontro moradia, e na maquiagem borrada a realidade. É em você que eu sinto a beleza, a arte, a obsessão, o tudo. Na minha mente, nós nunca deveríamos nos separar, e você continuaria sendo uma arma apontada à minha cabeça e uma amante em minha cama. Meu platonismo, assassinato e adoração. É você, você e só você.
É você que não existe, é você quem eu adoro.

Era tão linda que o sol brilhava todos os dias na sua presença. Tão linda que fazia os olhos arderem, tão linda que fazia o coração doer. E como doía.

Chegue mais perto, e deixa eu limpar suas lágrimas. Elas queimam minha pele, a mancham de um vermelho tão nítido quanto o do sangue, mas não me importo, deixe-me limpá-las antes que te destruam.
Não, não vai embora. Fique mais um pouco, deixa eu olhar teu sorriso mais uma vez, deixa eu cantar tudo que eu nunca consegui dizer. Fique.
Vem, chegue mais perto, gruda teu corpo no meu, assim nos transformamos em algo único. Use meus ombros para depositar sua dor, segure minhas mãos para afastar seus medos, gruda tua alma na minha. Mais perto, mais perto. Junte seus lábios aos meus, percorra meu corpo como um mapa, descubra meus segredos, me cubra com sua malícia. Eu não posso dormir até que me devore.
Esqueça, esqueça todo o resto. Quero só nós, é tudo que importa, tudo, tudo que importa. Vem, me enche de verdades, use suas palavras pra me atingir. Descubra meus medos, me veja chorar, e logo depois, junte meus pedaços e tome seu espaço no meu coração. É seu, é seu, é seu, apenas seu. Não importa quanto sangue escorra, o quanto ele lateje, em suas mãos ele encontra vida, em meio a essa dependência perigosa. Repito, não me importo, não me importo, não tem volta, não quero volta. Ofereceu todas as chances possíveis para eu desistir, mas não aceitei nenhuma, não preciso desistir, não quero desistir. E no meu mundo tão cinza você coloriu o seu, o meu, o nosso espaço. Te dou o direito de me devorar até que não reste mais nada, mas me dê o direito de te decifrar, te curar, te amar.

And I’ll love you, if you let me…

Não te esqueci.
Talvez essa seja a melhor maneira de começar algo que eu nem sei se vou saber terminar. Não te esqueci. Você continua presente nas músicas, no cotidiano, na minha mente, nas minhas lembranças, nos meus sonhos e pesadelos. Você ocupa um lugar quase inalcançável dentro de mim, sinto medo de chegar perto, mas também não consigo ficar longe.  Não sei como explicar.
Meus motivos são abstratos demais, são imaturos demais, mas acredito que essa seja a melhor forma de seguir em frente. Admito que em alguns momentos de insanidade, desejei a todo custo te tirar de dentro de mim. Convencendo-me de que era impossível, acostumei a viver com sua sombra, com a sua lembrança. Ela é discreta, não chega a incomodar, me chama pra conversar e até oferece um café. Algumas vezes me parece traiçoeira, pois sabe que depois do primeiro gole, levantarei meus olhos e procurarei por você. É quando ela aproveita pra cutucar os machucados, dar tapas na cara e dizer mil vezes que nada fez sentido. Por sorte, consigo me manter calma, e gentilmente peço pra que ela pare de enfiar tantas mentiras na minha mente já tão bagunçada. Ela compreende, e volta a me abraçar e continua a me fazer sorrir em alguns momentos e me faz sonhar como sempre sonhei e me faz nunca te esquecer. Sua sombra é companheira, saiba bem disso. E saiba também  que não quero deixá-la pra trás, mas também não posso puxá-la pra tão perto. Entenda, se ficar perto demais vai machucar, vai corroer, vai me querer fazer esquecer.

Você encontrou seu caminho, estou tentando encontrar o meu, e conseguindo. Dum jeito inesperado, mas estou. Você mudou, eu mais ainda. Não é culpa de ninguém, nunca foi, foi só o tempo – o maldito tempo – que passou.
Talvez eu consiga trazer você pra mais perto um dia desses, talvez. Mas por enquanto prefiro sua presença não tão leve que me faça esquecer, mas também não tão forte que me faça afogar e me perder.

Gosto de ti desse jeito, admirável, agradável. Sublime.

Se eu tivesse pedido o número do seu telefone, ao invés de assistir você fugir dos meus braços sem intenção de volta. Se eu tivesse te dito tudo que me afligia no meio daquele monte de lençóis, ao invés de sair pela porta sem me despedir. Se eu tivesse te criado na minha mente agora, e não há anos trás, quem sabe meus sorrisos te pertenceriam. Se eu tivesse corrido, tentado um pouco mais. Se eu tivesse feito loucuras, se eu tivesse fugido sem avisar ninguém, se eu tivesse viajado pra grudar seus olhos nos meus. Se.

Se eu não tivesse hesitado, corrido, vacilado, temido… Eu não estaria aqui. Nem nada que pertence ao passado, tudo teria virado pó. Se.
Se eu pudesse sair correndo, se eu não precisasse olhar pra trás, se eu tivesse seus braços, se eu tivesse você todas as horas. Se nós não precisássemos esperar, se nós pudéssemos fugir. Se, se, se. Cansei das suposições, mas me vicio cada vez mais nas possibilidades. E quando não consigo dormir, penso nelas pra tentar manter tudo real, e a possibilidade de sentir teu corpo no meu me mantêm acordada a noite inteira…

Você sabe que eu tentaria, correria, puxaria tua mão, casaria, aceitaria, moraria. Se.

Você cura o vazio. Você o traz de volta, o deixa maior. Você provoca o sorriso, você o tira com a mesma facilidade.  Você quer o futuro, mas não dá uma chance ao presente. Você faz meu tudo, você transforma meu tudo em nada.
Você. Eu. Nós. Todos. O ser humano tem o poder de destruição. Destrói seu chão, seu céu,  suas esperanças, sonhos, sentimentos.
“Você destrói as coisas que ama. ” A gente destrói as coisas que amamos, as pessoas e nem percebemos. A gente destrói porque temos medo de sermos destruídos. Temos medo de sermos deixados primeiro, temos medo da vida tirar algo de nós. A gente tem medo de libertar algo e esse algo nunca mais voltar. Acabam se libertando por conta própria. E voltam, quase sempre voltam… Ou então procuram algo novo pra destruir. Não tem fim.

E chega o momento em que você tem que decidir entre pular ou voltar atrás e tentar encontrar uma nova razão. A decisão tem que ser tomada em pouco tempo, pois o medo e o vazio te empurram cada vez mais à sua própria queda. As asas nunca existiram, os sonhos foram só sonhos. É hora de viver, acordar, tentar seguir em frente, sem vacilar, sem relembrar, sem temer. Os sonhos não importam mais. Ou importam, sempre importaram mais do que deviam. Mas existe uma linha tênue entre a felicidade plena e a destruição. Não é você que tem o poder de escolher qual lado quer seguir. A vida escolhe, castiga, sem se importar se vai doer mais ou menos. Os sonhos te levaram a isso, você quis arriscar. Quis correr atrás da queda, usando suas asas inexistentes, desejando o que não existe. Essa escolha foi sua. Pular ou não pular? Talvez você consiga voar, talvez alguém puxe tua mão antes da queda. Talvez, talvez. Sei que passou muito tempo da sua vida acreditando no talvez, e é por isso que vale a pena acreditar mais uma vez. Voltar atrás? O caminho é muito longo pra quem já chegou até a beira do precipício. Não vale a pena sentir a mesma dor, o mesmo vazio, o mesmo medo. É tarde demais pra tentar voltar atrás. A linha foi traçada, você tropeçou no meio do caminho. Destruição. Não há mais tempo de escolher, de decidir. A dor cessará, eu prometo. Dormirás pra sempre, e o sono lhe salvará de tudo…
E pulou. Sem tempo pra arrependimentos, sem tempo de se despedir.
Apenas pulou, antes que os próprios pensamentos a matassem. Quando pulou, continuou acreditando que podia voar. E voou. Antes de tocar o chão, era eu quem estava lá. Estava lá pra amenizar a queda, abraçá-la, enquanto a escuridão encarregava-se de dar as boas-vindas.

Recebi um selo de qualidade do Caleb, do Enquanto espero o fim do mundo. É o primeiro que recebo, então fiz questão de postá-lo e indicar alguns blogs que gosto. Muito obrigada pelo selo, Caleb!


Nome: Júlia Maria.
Uma música: This Time Imperfect – AFI
Humor: Volúvel. Extremamente volúvel.
Uma cor: Azul.
Estação: Inverno.
Como prefere viajar: Carro, talvez.
Um lugar: Minha mente.
Um filme: Em Busca da Terra do Nunca.
Um livro: A Menina que Roubava Livros.
Um prazer: Ouvir música, ler, escrever, dormir.
Um seriado: Grey’s Anatomy.
Time do coração: Apesar de não ligar muito pra isso, sou são paulina, por causa do meu irmão.
Frase mais dita por você: “É complicado”.
Porque tem um blog: Pra tentar arrumar a bagunça da minha mente em palavras.
Sobre o que você escreve: Sobre amor e sonhos, principalmente. Sobre um dos lados da minha personalidade, meio escondido.
Escreva a primeira coisa que vier a cabeça: Saudade dói.
O que achou do selo: Uma honra.

Blogs indicados:
http://spleenitique.wordpress.com
http://poesiaobscura.wordpress.com
http://poetamatematico.wordpress.com
http://vigiliaonirica.wordpress.com
http://enquantoesperofimdomundo.wordpress.com
http://womansuits.blogspot.com

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